Contraponto

Contraponto é uma técnica composicional que auxilia o compositor na disposição de linhas melódicas simultâneas. O nome vem de "ponto contra ponto", ou seja, literalmente criar uma nova linha melódica simultânea sobre uma já existente. Imagine uma dupla sertaneja cantando em sextas ou terças paralelas. A grande diferença é que a técnica do contraponto surge para evitar esse paralelismo interminável. Digamos que a intenção do contraponto é gerar uma textura polifônica. Como duas melodias que se movem paralelamente não geram polifonia, surgem todas aquelas regras que proíbem movimentos paralelos e/ou na mesma direção.

O contraponto surge sobre elaborações em cima do canto gregoriano. As primeiras formas de contraponto são chamadas de organum.

Ainda hoje, no Século XXI, o contraponto se apresenta como uma ferramenta extramamente útil ao compositor e arranjador, em qualquer nível, desde o professor de ensino infantil que quer fazer um arranjo ou composição para duas flautas doce, ou para o compositor de música contemporânea.

Não subestime o estudo do contraponto.

Existem muitos livros disponíveis no mercado. A maioria, e os melhores, estão em inglês. Mas existem inúmeras apostilas e pequenos tratados em português sobre o assunto, que irão dar uma boa noção e introdução ao assunto. Entre eles está o livro da Any Raquel Carvalho. Há, inclusive, metodologias diversas para o ensino do contraponto, sendo que o aprendizado através das espécies (desenvolvido originalmente por Fux) a mais conhecida e utilizada. Por isso, nada mais interessante que dar uma olhada no livro original do Fux.

Na página da Biblioteca Digital você irá encontrar outros livros sobre contraponto. Nessa página eu irei disponibilizar somente alguns que darão uma noção muito boa sobre o assunto. Bons estudos.

 


Formas musicais baseadas ou comumente relacionadas ao contraponto.

  1. Imitação  
  2. Cânone  
  3. Moteto  
  4. Fuga  
  5. Passacaglia
  6. Chacona

Arquivos e/ou links para exemplos musicais

Organum Alleluia Justus

Este organum serve como exemplo do Ad organum faciendum, um tratado sobre como fazer organum. Este tratado data de cerca de 1100, e está disposto na Biblioteca Ambrosiana em Milão. Exemplo musical com partitura retirado da Norton Anthology of Western Music (NAWM).

Aquitanian Poliphony Jubilemus, exultemus. (NAWM)

Leonin. Alleluia Pascha nostrum. Gregorian Chant and Early Polyphonic Elaborations. Organum duplum. (NAWM).

Perotin. Sederunt. Organum quadruplum. (NAWM)


Arquivos de texto comentados

CARVALHO, Any Raquel. O estudo do contraponto nas universidades brasileiras. Porto Alegre: Núcleo de estudos avançados, UFRGS.

Pequeno, mas excelente livro, contendo uma revisão bibliográfica comentada sobre o assunto. Inicia expondo falando sobre a evolução do contraponto, desde a música na Grécia antiga, passando pelos modos eclesiásticos, e o surgimento do organum. Tem um capítulo muito interessante no qual ela versa sobre a "importância do estudo do contraponto". Recomendo como primeira leitura sobre o assunto. As páginas estão meio fora de ordem nesse PDF, mas está o livro completo aqui.

CARVALHO, Any Raquel. Contraponto Tonal: Um Manual Prático. ANPPOM 1999.

Artigo apresentado em encontro da ANPPOM 1999 sobre as pesquisas que a autora vinha desenvolvendo sobre contraponto tonal, e que culminou em livro publicado posteriormente.

FUX, Johann Joseph. O Estudo do Contraponto: do Gradus ad Parnassum. Traduzido por Jamary Oliveira a partir da versão em inglês: MAN, Alfred (ed.). 1971. The Study of Counterpoint from Johann Joseph Fux's Gradus ad Parnassum. 3a. ed. New York, London: W. W. Norton. Tradução para o português das notas de rodapé, do prólogo, revisão e edição feita por: Hugo L. Ribeiro.

Um dos primeiros livros didáticos sobre música. É escrito em forma de diálogo entre um mestre (supostamente Palestrina), e um aprendiz. A linguagem é bem "engraçada", pois usa uma forma de tratamento bastante em desuso. Mas não deixe que isso atrapalhe. O livro é bem didático e parte de elementos simples ao mais complexo. Nesse livro Fux introduz a metodologia do ensino de contraponto através das espécies: 1a. Espécie, nota contra nota; 2a. Espécie, duas notas contra uma, e assim por diante. Aqui só foi traduzido a primeira parte do livro, que aborda somente duas vozes.

RIBEIRO, Hugo L. Contraponto Modal. Não publicado.

Apostila de resumo das regras da primeira e segunda espécie do livro de Fux.

ANONIMO. Apostila de contraponto. Não publicado.

Resumo de algumas das regras do Fux. Muito resumida.

MAIA, Fernando. Contraponto modal. Outubro de 2000.

Fichamento das aulas do Prof. Mário Ficarelli sobre contraponto modal a duas vozes, da 1a. à 5a. espécie.

KENNAN, Kent. Counterpoint: based on eighteenth-century practice. 4a. Ed. New Jersey: Prentice Hall, 1999.

Livro clássico sobre contraponto. São dezenove capítulos que abrange desde as questões estilísticas de cada contexto histórico, à construção de linhas melódicas, estudo de contraponto a duas e três vozes. Aborda também as diversas formas musicais baseadas, tradicionalmente, no uso do contraponto, tais como o cânone, a imitação, a fuga, a chacona, entre outras. Excelente livro para um estudo aprofundado sobre o assunto. Não é preciso ler em inglês. Jpa existe a tradução do prof. Ricardo Bordini, disponibilizada logo abaixo.

KENNAN, Kent. Contraponto. Traduzido por Ricardo Bordini. Capítulos separados.
Capítulo 01 - Introdução
Capítulo 02 - A linha melódica simples
Capítulo 03 - Princípios do contraponto a duas vozes
Capítulo 04 - Exercícios a duas vozes, 1:1, 2:1
Capítulo 05 - Cromatismo (duas vozes)
Capítulo 06 - Exercícios a duas vozes
Capítulo 07 - Escrita de peças curtas a duas vozes
Capítulo 08 - Cânone
Capítulo 09 - Contraponto invertível
Capítulo 10 - A invenção a duas partes
Capítulo 11 - Contraponto a três vozes
Capítulo 12 - Escrita de peças curtas a três vozes
Capítulo 13 - Imitação a três vozes
Capítulo 14 - Invenção a três partes; Trio sonata
Capítulo 15 - Fuga
Capítulo 16 - Fuga (continuação)
Capítulo 17 - Fuga (conclusão)
Capítulo 18 - Formas baseadas no Chorale
Capítulo 19 - Formas de variações contrapontísticas

KOELLREUTER, Hans Joachim. Contraponto modal do Século XVI (Palestrina). Brasília: Musimed, 1996.

Um dos primeiros livros publicados em português sobre o assunto. Muito utilizado em algumas escolas. Todavia, considero bastante resumido e pouco didático para a autoaprendizagem. Com o auxílio de um professor que conheça bem esse livro pode até funcionar. Seu lado positivo é a grande quantidade de exemplos musicais da época, inclusive com escrita antiga. Outro ponto positivo é a menção do uso do contraponto pelos compositores do Século XX, trazendo, inclusive, um exemplo de Anton Webern. Aborda assuntos como os modos litúrgicos (ou eclesiásticos), a música ficta, a composição de Cantus Firmus, o contraponto a duas vozes (a partir das espécies), a imitação, o cânone, o moteto e o contraponto a três ou mais vozes. Vale a pena para quem já entende do assunto.

SCHOENBERG, Arnold. Exercicios preliminares em contraponto. Leonard, Stein Ed. Tradução de Eduardo Seincman. São Paulo: Via Lettera, 2001.

Mais um livro em português, todavia bem mais aprofundado que o livro do Koellreuter. Também é baseado nas espécies, mas dá especial atenção ao aspecto harmônico, tonal, do contraponto. Aborda o contraponto a duas, três e quatro vozes. Vale a pena.

OWEN, Harold. Contraponto modal e tonal: De Josquin a Strawinsky. United States: Shirmer, 1992. Tradução de Hugo L. Ribeiro.

Excelente livro, mas pouco conhecido entre os professores de contraponto em geral. Aqui está disponibilizado somente a tradução parcial dos dois primeiros capítulos. Espero um dia terminar de traduzir e poder disponibilizá-lo completo.

BOULEZ, Pierre. Contraponto: apontamentos de Aprendiz. Tradução de Stella Moutinho, Caio Pagano e Lídia Bazarian. São Paulo: Editora Perspectiva. 1995. p. 263 - 266. Disponível em: http://adriano.gado.sites.uol.com.br/contraponto.1.htm

Excelente texto sobre o contraponto. Não é um texto didático, no sentido de ensinar como fazer ou compor um contraponto. Mas é uma abordagem histórica sobre o contraponto desde seu surgimento até a primeira metade do século XX (numa visão bem crítica), quando ele termina afirmando que: " O ensino do contraponto espera ainda por uma metodologia que pertença verdadeiramente à nossa época."

PISTON, Walter. Counterpoint. New York: W. W. Norton, 1949.

Mais um livro clássico sobre o assunto. Todavia, só há essa versão em inglês. Ainda não tem uma tradução disponível. Para quem quiser se aprofundar no assunto e conhecer as referências básicas.

 

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